por Manuel Carneiro da Frada, 2025
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A designação tem sido empregue para identificar uma corrente do pensamento – difusa nos seus contornos, mas com presença marcante na actualidade – caracterizável genericamente por pugnar de forma activa por um conjunto de enunciados identificados usualmente com a «teoria do género», a «teoria crítica da raça» e a «teoria da interseccionalidade», ou agrupados em torno deles.
A primeira rejeita a determinação biológica do sexo (homem/mulher), afirmando em seu lugar que o «género» é um produto cultural; que pode, por isso, ser escolhido, importando derradeiramente a consciência individual de cada um a respeito da sua identidade sexual – com o inerente favorecimento de “transgéneros” -, e a que por vezes se associa, mas contraditoriamente, um feminismo radical. A segunda reactiva a ideia da raça enquanto absolutamente determinante do comportamento social, criticando essencialmente a raça branca, tida (fatalmente) por privilegiada e dominadora. A interseccionalidade, por sua vez, agrega as vítimas que a consideração de diversos planos – rácico, de género, culturais, todos entre si convergentes – permite identificar: promovendo, no empolamento fortemente “identitário” a que conduz, um aceso activismo de ruptura em prol dessas mesmas vítimas por causa das múltiplas discriminações e explorações contra elas (supostamente) cometidas, ao longo da história e também na actualidade. Presente está também uma referenciação, mais de cariz simbólico do que geográfico ao “Sul global”, para aludir, mesmo imprecisamente, a povos e territórios de alguma forma vítimas da penúria, da menorização cultural ou de perseguições étnicas e políticas.
O homem “branco, heterossexual, supremacista, patriarcal e colonizador” emerge como símbolo de um paradigma a combater. Haveria, assim, de estar-se “alerta”, “desperto” (woke), para extirpar as dinâmicas de opressão, disseminadas por toda a sociedade, que aquelas teorias denunciam.
Na génese desta corrente – em muitos sítios, tão difundida que se mescla com o que é tido pelo “pensamento político correcto” – estará, em grande medida, a revivescência proporcionada pela escola de Frankfurt (e autores como Marcuse, Adorno, W. Reich, etc.) ao marxismo no ambiente cultural das sociedades liberais pós-modernas, incorporando a teoria do conflito social correspondente, assim como a convergência com o pansexualismo de origem freudiana, propiciando uma desconstrução ideológica progressiva de representações e estruturas sociais comuns, entre as quais a família.
Muito expandido nas universidades norte-americanas e europeias (falando-se mesmo de uma “religião universitária”), o wokismo acoberta-se com verdades alegadamente validadas pela ciência, segundo as quais “o sexo não existe nem importa”, “o racismo é sistémico”, “uma verdadeira descolonização nunca aconteceu” (devendo agora continuar-se num processo para reparar injustiças históricas), há uma “masculinidade” ou “branquitude tóxica” que inquina a vida social, a família constitui nuclearmente, tal como a cultura dominante, uma
estrutura de poder de que urgiria “emancipar-se”, a objectividade do conhecimento não é possível, precisando de ser substituída por uma “epistemologia do ponto de vista” ou uma atitude, individual ou de uma classe ou grupo, consoante as matérias), etc.. Na conjugação de todos estes factores, o wokismo é por muitos considerado um sinal autofágico da decadência da cultura dita ocidental.
Características típicas deste modo de pensar são (i) o primado da colectividade a que pertence o sujeito sobre a pessoa, cuja identidade se define e limita irremovivelmente pela do grupo em que se insere; (ii) da vontade sobre a razão, tida por inapelavelmente não apta para o diálogo social já que maculada insuperavelmente por certas condições de base do sujeito, geradoras de estruturas de domínio, importando antes o empenho militante de alterar essas mesmas estruturas; (iii) do poder sobre a autoridade: reduzindo-se a interacção humana a um exercício do poder, urgiria provocar um “empoderamento” das suas vítimas típicas (identificadas segundo as acima referidas teorias) em confronto com a (legítima) autoridade estabelecida; pretendendo modificar a ordem socialmente implantada em obediência às lógicas “identitárias” propiciadas por aquelas mesmas teorias do género, da raça e da interseccionalidade; (iv) a rejeição de regras morais, tidas por instrumentos seculares de opressão, de sujeitos e de grupos sociais; bem como uma oposição, mais ou menos velada, ao cristianismo (na pretensão que apresenta de uma verdade última e de um sentido totalizante do mundo e da vida, contrastante com a matriz libertária e relativista deste tipo de pensamento).
São abundantes os desvios, as inconsistências e as contradições que o pensamento woke apresenta. A proliferação de conteúdos de conhecimento produzidos em muitos meios universitários modernos sem suficiente certificação favorece tomarem-se certas asserções e conceptologias por científicas, embora desprovidas de uma validação credível, não raro discriminando segundo o seu teor. Divide-se o mundo, de forma maniqueísta, em culpados e não culpados, puros e impuros – por suposto, sem Deus nem possibilidade de redenção -, todos inapelavelmente determinados pela posição de partida que lhes corresponde (de vítima ou de opressor, de privilegiado ou de perseguido) segundo as dicotomias branco/negro, homem/mulher, heterossexual/transgénero, colonizador/colonizado, cristão/não cristão a que pertencem. Desvalorizam-se muitas vezes, ou rejeitam-se sem motivo, as percepções comuns, ignoram-se dados biológicos ou antropológicos, reinterpreta-se ou reescreve-se de modo parcial a história, descrê-se da liberdade humana como determinante desta, nega-se a capacidade da razão de aceder a enunciados verdadeiros, a vinculação da pessoa a enunciados morais, esquece-se a radical igualdade do género humano e de todos os indivíduos que o compõem (recusando a reciprocidade das pretensões que se apresentam), etc.
O militantismo woke tem procurado apropriar-se de diversas causas indiscutivelmente justas, mas expulsando destas quem não detém as suas marcas identitárias. Incoerentemente, uma certa origem libertária cedeu o passo a rigidificações ideológicas, do mesmo modo que o seu subjacente relativismo se converteu, afinal, num sectarismo e dogmatismo que rejeita a discussão racional: tudo se resumiria, no fundo, a um tema de poder, individual ou social, como tal devendo ser tratado. O Direito é reduzido, assim, ao “político” (lato sensu), nenhum reduto oferecendo a ninguém fora desse âmbito. Desse modo abriram caminho vanguardismos de iluminados, a legitimação dos necessários “endoutrinamentos”, um activismo universitário que se permitiu a selecção de docentes em função do teor do seu pensamento nas temáticas woke propiciando, por fim, o controlo do pensamento e da palavra. Tal tem como consequência uma “cultura do cancelamento”, outra designação deste tipo de pensamento, profundamente auto-referencial, que exclui e tem afastado muitas vezes, sumariamente, do areópago público aqueles que apresentam opiniões contrários aos dogmas desta corrente.
A reabilitação do diálogo social afectado por esta mentalidade requer, por isso, elementarmente, a proclamação e a defesa da liberdade de cada um; um fortalecimento do discurso racional (do pensamento crítico na vez de uma unilateral “teoria crítica”), da busca da verdade e do bem de todos como ponto fixo da convergência a que todos são socialmente convocados (na pluralidade de entendimentos que possam apresentar-se), reflectindo a unidade essencial do ser humano; o reconhecimento de que ele se não encontra fatalmente submerso na sua circunstância; a dignificação da pessoa e o respeito das estruturas sociais (família, comunidade política) de que ela carece, naturalmente, para se expressar, realizar e desenvolver.
O problema central do wokismo não reside, pois, no tipo de causas que invoca – várias delas por certo meritórias e valiosas, como a da defesa dos direitos de etnias e minorias perseguidas em diversas latitudes, do ambiente e da ecologia, e do combate a um modo de organização económico planetário extrativista e predador dos recursos naturais, à exploração da mulher, etc. -, mas na rigidificação preconceituosa (quando não hipócrita) que também o enforma, teórica e praticamente, e no prepotente exclusivismo que reivindica para si destas causas. São essas as características que propriamente o definem.
O esquematismo “wokista”, nas raízes ideológicas maniqueístas, materialistas e ateias que o sustentam, bloqueia o debate público e torna-o infecundo; cava trincheiras que dificultam os consensos sociais necessários para alcançar objectivos que até poderão ser – reitera-se – meritórios e, mesmo, necessários. Não se trata, pois, de negar ou ignorar que, no pêndulo dialéctico do devir histórico, o wokismo acaba por contribuir também, de forma positiva, para a consciência e a valoração adequada de diversas realidades do seu tempo, antes de expressar a sua inaptidão, enquanto tal, para uma resposta adequada, racional, prática e satisfatória aos seus desafios.
Bibliografia:
- Jean-François Braunstein, A Religião Woke, Lisboa, 2023
- Helen Pluckrose e James Lindsay, Teorias Cínicas: como ativistas académicos reduziram tudo a raça, género e identidade – e como isso nos prejudica a todos, Lisboa, 2021
- Noelle Mering, El Dogma Woke, Madrid, 2023
- Robert P.George, Making Men Moral. Civil Liberties and Public Morality, Oxford: Clarendon Press, 1995
- Patrícia Fernandes, «O Wokismo não existe? Uma aproximação filosófica ao paradigma identitário», in Crítica XXI, 5 (Outono 2023), 77 ss.
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- Dicionário: Trabalho
por Manuel Carneiro da Frada, 2025
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1. O trabalho constitui uma realidade profundamente humana, expressão da dignidade da pessoa. Representa uma fonte de recursos para sustento próprio e da própria família, mas é, do mesmo modo, ocasião de desenvolvimento da sua personalidade, vínculo de união com os outros e forma de participação, tanto no desenvolvimento e melhoria da sociedade, como no progresso da humanidade. Expressa a autoridade do homem sobre a natureza e a sua superioridade sobre os processos sociais: a sua capacidade de os orientar, com a sua inteligência e a obra das suas mãos, de acordo com os fins que se propõe, para incrementar o bem pessoal, ou dos demais. Compreende uma vertente pessoal-antropológica, por isso que promove de modo muito eficaz a maturidade, a realização e o aperfeiçoamento de cada um; e apresenta uma evidente dimensão familiar e social, contribuindo poderosamente para estabilidade e a segurança económica das famílias, assim como para a estruturação da vida social. É um espaço de encontro de cada um com os problemas, as necessidades e as preocupações dos seus iguais. Reveste-se obviamente de uma eminente dimensão moral, porque através dele o homem é convocado a realizar o seu chamamento a uma vida honrada e “boa” (eticamente valiosa), e assim, a adquirir e cultivar no seu âmbito as virtudes humanas por esta última co-implicadas.
Semelhante perspectiva contrasta com o difundido entendimento que vê no trabalho uma escravidão, uma alienação, ou, em qualquer caso, uma incómoda inevitabilidade da condição humana: uma concepção, esta, que procede, em parte, da confusão entre trabalho e fadiga, assim como da frequente interligação entre ambas estas realidades estabelecida na cultura greco-romana. Diferentemente, no âmbito do pensamento cristão, o trabalho humano é uma participação na obra criadora de Deus, com vista à transformação/aperfeiçoamento do mundo.
2. O sentido antropológico, social e moral do trabalho conduz a que o trabalho deva ser bem feito, com competência profissional e de forma tecnicamente bem acabada; cumprindo as obrigações sociais ou legais que o acompanham, honrando com lealdade os compromissos assumidos e respeitando as regras deontológicas que ordenam o exercício das profissões. A dignidade do trabalho resulta precisamente de que constitui a forma por excelência de humanização do mundo, modo esse que opera através do envolvimento da pessoa, das suas capacidades, intelectuais ou físicas, e das múltiplas dimensões da sua personalidade. Todo o trabalho, de qualquer natureza, é assim, por si mesmo, digno; carece, mesmo se tido comummente por “inferior”, de um justo reconhecimento social. O seu valor intrínseco manifesta-se, por igual, em qualquer modalidade que assuma, mesmo se não for remunerado, pois não depende desta. Por contraste, as actividades desonestas ou ilícitas não podem ser objecto desse merecimento.
O trabalho não se confunde com o “emprego” (o mero “trabalho-emprego”), ao qual, demasiadas vezes, é degradado. É redutor pensá-lo só, ou principalmente, enquanto fonte de recursos (estes susceptíveis até, nas sociedades actuais, de serem conseguidos através de vários tipos de subsídios substitutivos). Constituindo, como se viu, uma forma de realização da própria humanidade e um contributo pessoal para com a sociedade, reclama uma atenção suficientemente integradora das suas várias dimensões por parte de entidades públicas ou privadas; e, assim, formas adequadas de conciliação com outras vertentes da vida como a família e o descanso, e modos de cooperação intergeracional adequada, tal como o respeito pelos bens e interesses comuns (ambiente, etc.).
São múltiplos os novos e específicos desafios que o trabalho enfrenta hoje, fruto, em especial, da sofisticação tecnológica, dos avanços da inteligência artificial, da robótica, da digitalização, todos eles potenciados pela globalização: permanecendo uma realidade humana fundamental, mudam as formas de organização e a cultura do trabalho. Como em outras épocas, haverá de saber reinventar-se e aperfeiçoar-se. De modo a evitar o perigo de uma nefasta impessoalização das relações laborais e da vida das empresas, mas abrindo-se também a novos horizontes intercolaborativos em ordem a uma mais adequada satisfação das necessidades humanas, e ao que poderia designar-se uma “ecologia humana integral”.
3. Como realidade social e humana fundamental que é, não admira que as grandes ideologias apresentem perspectivações diversas do trabalho e das prementes questões de justiça social que ele é susceptível de colocar. Entre elas avulta historicamente o marxismo. Dentro desta concepção rigidamente materialista, o trabalho constituiu sempre, inexoravelmente, um factor de exploração e uma causa de alienação do homem às mãos do capital, do qual a ditadura do proletariado haveria de libertá-lo, rumo a uma utópica sociedade sem exploração do homem pelo próprio homem. Este tipo de orientação perdura ou sobrevive hoje, de modo mais ou menos sofisticado ou soft, em diversos âmbitos associados ao wokismo.
Já para uma visão capitalista-liberal, o trabalho é meramente instrumental de uma economia assente na busca desenfreada de produtividade e de lucro, na redução de custos e na globalização dos mercados, hoje também crescentemente apoiada em progressos científicos e tecnológicos. De harmonia com uma perspectiva utilitarista-económica deste tipo, o trabalho encontra-se inevitavelmente exposto a novas, contemporâneas e dolorosas formas de alienação no trabalho e pelo trabalho, de que são actualmente exemplo o trabalho infantil, o trabalho precário, o trabalho clandestino ou o trabalho (manifesta ou iniquamente) sub-remunerado, mas também o “super-trabalho” e o “trabalho-carreira” (que, ao roubar o espaço necessário às dimensões familiares e pessoais de cada um, se apresenta de igual forma intrinsecamente desordenado do ponto de vista ético). O contexto actual do nihilismo valorativo pós-moderno favorece-o, ao tornar as sociedades abúlicas perante estas deturpações.
É, portanto, essencial harmonizar entre si trabalho e capital, afirmando a recíproca complementaridade entre ambos. Cada geração é chamada a responder a essa exigência. Ela traduz, simultaneamente, um importante desafio de uma cidadania responsável e um objectivo precípuo da actividade política. Uma forma privilegiada de lhe responder consiste em assegurar uma justa remuneração do trabalho e, mesmo, em promover a participação dos trabalhadores na propriedade dos recursos económicos, na sua gestão ou nos frutos da actividade por eles exercida. Na base encontra-se um direito de todos a um trabalho digno, e às condições imprescindíveis para o assegurar, que o direito de/à propriedade de outros não deve obscurecer, como corresponde a uma perspectiva solidarística, de afectação dos bens e recursos ao serviço de todos (segundo o mote de uma economia ao serviço do homem). É, aliás, inteiramente falso atribuir só ao trabalho, ou só ao capital, aquilo que apenas se consegue com o recurso de ambos.
Em qualquer caso, o trabalho tem sempre uma prioridade intrínseca sobre o capital, desde logo porque é ele, indubitavelmente, a causa eficiente primária – dir-se-á de algum modo “criadora” - de toda a modificação humanizadora do mundo e do seu progresso económico ou social (sendo o capital um mero instrumento nas mãos dessa causa “humana”). Nesse sentido pode dizer-se que o principal e o decisivo factor de produção é - como não pode deixar de ser - o próprio homem. De resto, as transformações profundas que os nossos tempos evidenciam valorizam crescentemente a criatividade individual, a capacidade para criar relações, as aptidões para integrar equipas, multidisciplinares ou não, em ordem à prossecução de objectivos comuns, assim como, em geral, a importância de soft skills diferenciados. Assiste-se, em conformidade, a uma inexorável perda de relevo económico da força operativa-mecânica de trabalho em benefício de uma (re)valorização das qualidades primaria e intrinsecamente pessoais do homem e da mulher trabalhadores, do “ter” em relação ao “saber”.
4. Oferece-se pois, hoje como em qualquer outra época histórica, mais uma vez, espaço para uma (re)dignificação do trabalho, a expressar um humanismo à altura das circunstâncias actuais. Que para tal harmonize a capacidade racional e transformadora da pessoa com a dimensão social da sua existência; que possibilite o seu progresso pessoal e o congracie com o progresso social, que lhe permita realizar no trabalho o seu chamamento interior à liberdade, à veracidade, e a uma ética de serviço, como corresponde ao homem protagonista da história e por ela responsável; que recupere, instaure ou alargue para o efeito uma cultura personalista e uma estética do trabalho; que se abra, mesmo, à possibilidade de uma “alma” e ao desenvolvimento, de igual forma, de uma espiritualidade do trabalho, a reflectir contemplativamente a dignidade transcendente do ser humano (para lá, também, do espaço cultural cristão onde tem as suas raízes mais profundas: l´homme qui dépasse infiniment l´homme (Pascal)). Que para tal considere integradamente o trabalho, e o seu quotidiano, em todas as suas dimensões, valorizando a sua verdade, a sua bondade e a sua beleza.
Bibliografia:
Antimo Negri (Coord.), Filosofia del lavoro: storia antologica, 7 vols., Marzorati Editore, 1981 (colectânea de textos).
Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Principia, Cascais, 2022;
J. B. Ciulla - The Working Life. The Promise and Betrayal of Modern Work, Times Books, New York, 2000;
Jon Borobia, Miguel Luch, José Ignacio Murillo, Eduardo Terassa (ed.), Trabajo y Espíritu, Pamplona, 2004;
Manuela Silva e Marta Lynce de Faria (coord.), O Futuro do Trabalho/Contributos de gestores e académicos para um trabalho digno e inclusivo, Aese, Lisboa, 2021 (e Prólogo, por Raul Diniz);
Rafael Corazón González, Filosofía del trabajo, Rialp; Madrid, 2007.
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