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Porque falha o país no desequilíbrio do poder?

Julho 30

Trinta e dois anos depois de Michael Porter ter deixado um diagnóstico da economia portuguesa que foi metido na gaveta, o IDL e a CIP tentam outra vez: com um Prémio Nobel, James A. Robinson, e Nuno Palma. Estudo é apresentado a 30 de julho.

Robinson, nasceu no Reino Unido, tem formação em ciência política, é atualmente professor é catedrático na Harris School of Public Policy e no Departamento de Ciência Política da Universidade de Chicago, e perito em questões da América Latina – foi professor durante alguns anos na Universidade dos Antes, em Bogotá, Colômbia – de África, reconhecido pelos seus estudos sobre a relação entre instituições políticas, desenvolvimento económico e prosperidade. Recebeu o Prémio Nobel da Economia em 2024, que partilhou com Daron Acemoglu e Simon Johnson, pelas suas investigações sobre a forma como as instituições influenciam a riqueza das nações.

O estudo, que se transformará em livro, é feito em coautoria com economista português Nuno Palma, o autor dos livros As Causas do Atraso Português e O Vício dos Fundos Europeus. Professor catedrático e diretor do Arthur Lewis Lab Comparative Development no Departamento de Economia da Universidade de Manchester, sendo especialista em História Económica e Economia Política. Tanto os seus dois livros como as diversas entrevistas que tem dado repetem, com poucas variações, o mesmo diagnóstico: o país está mal gerido, mas os portugueses raramente sentem essa má gestão na pele.

O Sol falou com o presidente do IDL, Manuel Monteiro, e com o presidente da CIP, Armindo Monteiro, sobre o motivo e o propósito deste estudo, que vem na linha de um outro estudo de Michael Porter, de 1994, “que foi metido na gaveta”. IDL e CIP estão em empenhados em que a história não se repita, também porque será a primeira vez que um Prémio Nobel da Economia tem como tema exclusivo o país.

MANUEL MONTEIRO

Manuel Monteiro justificou a escolha de Robinson e Palma porque “trabalham academicamente juntos” e são ainda investigadores que lidam as questões económicas a partir de fora, sem que haja uma “lógica de que o que vem de fora é melhor do que o que está cá dentro”. Aos autores foram colocadas duas condições: “o que nós solicitamos foi um estudo positivo”, ou seja, que “sem embargo, é óbvio de apontar aquilo que considera que está errado”, o estudo fosse sobretudo propositivo; e que fosse “supra-governos ou supra-orientações governativas”, disse-nos o presidente do IDL, que prosseguiu: “nós não queremos um estudo para dizer mal do governo A ou do governo B”. A segunda condição foi que refletisse a “perspectiva empírica” de empresários portugueses ouvidos pelos autores, ao longo de várias semanas, “variadíssimos empresários de variadíssimos setores de atividade económica”, “desde os serviços à agropecuária”, indicados pela parceria IDL/CIP, conversas que foram “totalmente autónomas, não foram em grupo, mas cada um na sua hora, no seu dia” e “nós não sabemos o que é que cada um disse”, sendo que Manuel Monteiro não quis identificar os empresários ouvidos.

Para enfatizou que “é um estudo totalmente financiado pela iniciativa privada. Não há aqui qualquer entidade pública envolvida nesta matéria (…) Nem empresa pública, nada.”

Questionamos se o estudo serviria sobretudo a um governo de direita, Manuel Monteiro respondeu-nos: “francamente, não sei”, e explicou: “o James Robinson é um economista (…) de centro-esquerda (…) não creio que vote conservador”, ao contrário de Nuno Palma, que é “claramente mais liberal”. Sobre o objetivo final: “a nossa perspectiva é de que o estudo tenha soluções económicas para o país que tanto possam ser implementadas” por governos de esquerda ou de direita. E resume a lógica com uma analogia: “se eu vou ao médico e o médico diz o seu problema é este e a solução é ser operado, eu quero lá saber se o médico é de direita ou de esquerda”.

ARMINDO MONTEIRO

Armindo Monteiro disse ao Sol que a iniciativa da parceria partiu do IDL e do seu presidente, que “nos abordaram no sentido de juntarmos esforços para um estudo.

Monteiro adianta-nos que este estudo será diferente do estudo (e depois livro) de Porter. “Nesse estudo do Michael Porter era mais de identificar clusters de eficiência, clusters de mais-valia. Ora, não é exatamente isso que pretendemos (…) não somos a favor de uma economia de direção central” disse, e acrescenta que o objetivo agora é outro: “identificar como permitir de uma forma, independentemente do setor, desenvolver Portugal e desbloquear Portugal, porque Portugal está bloqueado.”

“Portugal está bloqueado na produtividade, como se viu no crescimento do PIB, como se viu ainda agora esta semana no próprio PIB per capita.” Mais adiante, com números concretos: “A nossa produtividade média é de 29 euros, a média europeia é de 44, já estamos com 15 euros de diferença.” E sobre imigração recente: “um milhão de imigrantes que entrou nos últimos tempos foram para setores onde a média não é sequer de 29, é de 22 e até mesmo 17, construção civil, agricultura, restauração, hotelaria.” Sobre o contributo da imigração para o crescimento, aceita-o “só apenas parcialmente”.

A escolha de Robinson resulta de combinar duas coisas: “a visão de uma sociedade que pode ser mais, mas ao mesmo tempo sem um discurso liberalizante.” Cita a tese central de “Porque Falham as Nações”: “pode haver espírito empreendedor dentro da Nação, pode haver espírito a rodos, mas falta a matéria (…) falta o ecossistema, falta a vontade.” E resume o que falta a Portugal numa palavra: “O principal recurso que nos falta é (…) vontade.”

O presidente da CIP reforça que o estudo “Foi feito sem fundos públicos (…) Capitais completamente privados.” E que o objetivo:

“Contribuir (…) para que em Portugal, fora da política, porque nós não somos instituições políticas partidárias, [se] dispense como é que vamos lançar esta ação que é desbloquear o crescimento português.”

No fim, considera que o estudo “é um contributo responsável da sociedade civil que se recusa a que Portugal esteja a crescer abaixo do seu potencial (…) Não tem que se ter um determinismo (…) o nosso contributo é exatamente esse. É despertar, é aqui um wake up call (…) não aceitarmos este empobrecimento coletivo, porque esse é [o interesse] de quem, pelo medo e pelo assistencialismo, quer que Portugal não se desenvolva.”

PASSOS E SOUSA PINTO

E os estudos não ficam por aqui. A convite da Associação Comercial do Porto, o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o antigo deputado do PS Sérgio Sousa Pinto são os coordenadores de um estudo sobre reformas estruturais e os bloqueios que a economia portuguesa enfrenta em Colaboração com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Óscar Afonso, director da Faculdade de Economia, colabora com os ex-políticos no estudo que depois verterá em livro. Nuno Botelho, Presidente da Associação Comercial do Porto, diz que se lembrou de convidar os dois porque sendo pessoas de “quadrantes políticos diferentes”, são independentes e com “pensamento para o país” – o estudo deve estar concluído em dezembro deste ano. Passos e Sousa Pinto também foram convidados pela Universidade Católica para fazerem um estudo sobre o sistema eleitoral. Estudos para outro artigo.

Veja aqui a reportagem do NASCER DO SOL na íntegra.

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